
antes e depois
Da caravela de conquista para uma caravela desenhada com grafismos da própria região, com contornos suaves e a palavra cabral em caixa baixa.
Uma agência de turismo receptivo em Manaus trocou a caravela de conquistador por uma caravela feita de grafismos indígenas. A marca nasceu num projeto de faculdade, ganhou a rua e, depois, o feed.

01 — contexto
A Cabral Expeditions faz turismo receptivo em Manaus há mais de 16 anos: expedições de barco, sobrevivência na selva, Parintins, pesca esportiva e hotel de selva. O nome é uma homenagem da fundadora, Vania Cabral, ao pai, que a levou pela primeira vez ao Rio Amazonas.
O redesign foi o projeto da disciplina de Identidade Visual do curso de Design da Estácio, em 2021, feito em grupo e com a cliente de verdade: Anna Carolyne Celestino, Bernardo Duarte, Olivia Pureza, Pedro Assunção, Rafaela da Costa e Rafael Vieira.
02 — o problema
A marca antiga era uma caravela clássica, de traço europeu, que lembrava conquista e colonização, o contrário do que a Cabral queria dizer sobre a Amazônia. No digital, a presença era quase nenhuma, e a agência queria acolher melhor o público LGBTQIA+, que já atendia.
O briefing pedia duas coisas fixas: manter o barco e usar o verde da floresta.
03 — processo
O projeto seguiu o método de Bruno Munari: briefing com a fundadora, levantamento da marca, análise de três concorrentes, dados de turismo no Amazonas, efeitos da pandemia, três personas e análise SWOT.
Mais de 130 palavras-chave viraram 30, e as 30 viraram três pilares: cultura, empatia e paixão. O conceito: movida pela paixão pela Amazônia, a Cabral leva ao mundo experiências inesquecíveis no coração da floresta.
Em vez de folha e onça, a pesquisa foi para o artesanato e os grafismos dos povos da região. Cada traço do símbolo tem origem e significado registrados no relatório.
Cada integrante gerou alternativas à mão e no digital. O grupo votou, e a solução adotada foi a de Rafael: simples, próxima da região e afastada da ideia de conquistador.
04 — o que foi construído

Da caravela de conquista para uma caravela desenhada com grafismos da própria região, com contornos suaves e a palavra cabral em caixa baixa.

As velas usam o padrão Py’a Tytya da cestaria Guarani Mbya, que significa batida do coração e representa a cura. É a paixão do conceito, em forma de vela.

O casco vem do grafismo do Kumurõ, o banco cerimonial dos povos Tukano, redesenhado para ser lido também como uma pessoa de braços abertos. Os círculos laranja são a empatia, na cor do galo-da-serra.

O b de cabral leva um grafismo Pataxó que simboliza força, proteção e união: a homenagem ao pai da fundadora dentro da própria letra.

Símbolo construído em grid. Azuis das araras e da borboleta azul, vermelhos da arara e do urucum, azul e vermelho de Caprichoso e Garantido, verdes da floresta. Montserrat Alternates nos títulos, KoHo no texto.

De outubro de 2023 a abril de 2025, Rafael cuidou do marketing estratégico e institucional do Instagram, do post “estamos de cara nova” ao do Dia dos Povos Indígenas: 112 publicações, 32 delas em vídeo, com moldura verde, símbolo, faixa de grafismo e seta amarela.

Antes da marca nova, 31 posts em três anos, cada um com uma cara. No período do sistema, cerca de seis por mês. O gráfico separa esse período do que veio antes e depois, feito por outras equipes.
05 — galeria














06 — quem usou
“A nova identidade da Cabral foi um presente lindo que ganhei, a Cabral é uma empresa apaixonada pelo seu negócio, justamente amamos o Brasil, a Amazônia e a nossa cultura.”
07 — stack
08 — aprendizados
Cada traço com origem e razão registradas foi o que convenceu a cliente e o grupo. O símbolo resiste porque dá para contar a história dele em voz alta.
O projeto saiu da sala de aula, virou a marca da Cabral e, anos depois, o sistema do feed. Foi também o projeto que abriu a porta para Rafael entrar na Cortex.
09 — links